Residente Carla Sagradas relata seu estágio em Porto, Portugal

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Realizei meu estágio em Porto, Portugal em uma Unidade de Saúde Familiar composta por 14.000 mil pacientes cadastrados e acompanhados por 8 equipes de saúde, cada uma delas contendo aproximadamente 1.750 usuários, 1 secretário clínico, 1 médico (obrigatoriamente especialista) e 1 enfermeiro. O espaço físico é dividido em 4 andares. No primeiro, encontramos uma ampla sala de espera para os pacientes e uma recepção onde ficam os secretariados clínicos a realizarem os acolhimentos para as consultas agendadas e abertas. Os demais andares contém consultórios médicos e de enfermagem. Os serviços médicos oferecidos tem como função atuarem na prevenção da doença e promoção da saúde, estabelecendo procedimentos preventivos dirigidos aos grupos vulneráveis e de risco. A equipe médica assume o compromisso de desempenhar as tarefas da carteira básica de serviço, assim como as que vierem a ser contratualizadas em carteiras adicionais. O público atendido é bastante heterogêneo em relação a idade, sexo e poder aquisitivo, apesar de que nem todas as consultas são gratuitas, o que não diminuiu o acesso à saúde, uma vez que os valores cobrados são apenas simbólicos e restrito para alguns grupos previamente estabelecidos e de conhecimento dos pacientes. Durante o período em que estive na Unidade de Saúde Familiar, pude acompanhar uma reunião dos residentes médicos do Porto Oriental realizada para atualização técnico-científica. Essa reunião ocorre uma vez a cada mês e os residentes ficam encarregados de apresentarem casos clínicos vivenciados durante a rotina de atendimento nas USF com uma posterior discussão baseada em evidência sobre o tema apresentado. Participei, também, da realização de visitas domiciliares. Estas funcionam de forma muito organizada, tendo uma equipe destinada a apoiar dentro dos domicílios pacientes com necessidades de cuidados especiais. Outra atividade realizada na clínica são os atendimentos telefônicos. Os médicos possuem horários pré-estabelecidos durante o dia de trabalho e de conhecimento prévio dos usuários para realização de consultas via telefônica. Ao término do estágio tive que desenvolver um pequeno trabalho, apresentando as principais diferenças observadas do funcionamento das unidades de saúde do Brasil e de Portugal. O tempo de especialização em medicina de família e comunidade é de 4 anos em Portugal, o que permite ao residente de lá assimilar muito mais conteúdo de forma gradual e desta forma, mais sedimentada. Além disso, para ser preceptor o profissional após o término da especialização deverá ter no mínimo uma lista estável de pacientes por no mínimo 3 anos de acompanhamento, além de uma análise curricular criteriosa. Percebi que as clinicas em Portugal funcionam de forma mais organizada possivelmente pelo número de pacientes limitados para cadastramento de acordo com a capacidade da equipe. Desta forma, caso haja um grande público ainda sem assistência, isso influenciaria a criação de novas unidades de saúde mesmo que em áreas demográficas muito próximas. Recomendo essa oportunidade a todos pelo ganho pessoal e profissional, além da acolhedora recepção pelos colegas de profissão que tornaram a estadia mais proveitosa e prazerosa. Fui a primeira residente brasileira a realizar o estágio nessa unidade e só tenho a agradecer por essa oportunidade. Foi ótima a experiência de conhecer a estratégia de uma unidade com o trabalho consolidado e desenvolvido há tantos anos. Com isso, trouxe as melhores ideias que pude observar desse trabalho para o Brasil, na tentativa de inserir na minha unidade para aperfeiçoar nosso método de trabalho. Residente do PRMFC - Carla Sagradas

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