Residente Juliana Toledo realiza estágio em Gerontologia

05:28:00

Relatório estágio Optativo: Juliana Toledo da Silva 
Local: Casa Gerontológica de Aeronáutica Brigadeiro Eduardo Gomes (CGABEG)

  1.Introdução O processo de envelhecimento populacional é um fenômeno que ocorre de forma global, embora cada país tenha suas particularidades nos países em desenvolvimento, o envelhecimento ocorreu em curto período de tempo, sem prazo para reorganização da saúde para atender essa nova demanda.A Atenção Primária, como porta de entrada ao sistema de saúde, deve acolher a população idosa e promover acompanhamento e longitudinalidade. Também é responsável pela rede de suporte social ( familiares e cuidadores), tanto no cuidado de saúde quanto na orientação e capacitação para acompanhamento do idoso. A Atenção Primária é quem melhor conhece o contexto social, familiar, ambiental e psicológico dos idosos, dessa forma,contribuindo para o tratamento de doenças crônicas, apoio familiar, entendimento do ciclo de vida e finitude. A equipe multidisciplinar presente na APS é de fundamental importância para o acompanhamento da população idosa, assim como para capacitação e ajuda aos cuidadores.

 A CGABEG foi criada por meio da Portaria Nº 1589/GM3, de 07 de novembro de 1984 e inaugurada em 21 de janeiro de 1985, com a finalidade de preencher a necessidade de implantação de um modelo assistencial de geriatria e de gerontologia no âmbito do Comando da Aeronáutica. Como missão, presta assistência biopsicossocial aos idosos reformados ou da reserva remunerada da Aeronáutica e a seus dependentes.O corpo clínico é formado por equipe multidisciplinar: fisioterapia, psicologia, médicos, enfermeiros, musicoterapia, acupuntura, nutricionista,assistente social, fonoaudiologia e terapia ocupacional. A CGABEG é uma instituição de longa permanência, porém oferece oficinas durante o dia para idosos não institucionalizados. É divida em 5 alas, cada qual com um médico responsável. Seus residentes tem características bem distintas, alguns acamados e em fim de vida e outros ainda funcionais e independentes. Como residente em Medicina de Família e Comunidade, o estágio em geriatria foi uma opção para melhorar os conhecimentos sobre a população idosa, atualização de conceitos clínicos e abordagem familiar nos casos de pacientes idosos e em fim de vida.

  2. Atividades desenvolvidas Realizei o estágio com outra residente do programa, Fernanda Matthews, e fomos recebidas pela diretora da instituição , a Coronel Médica Carla Lyrio Martins. A supervisão do estágio foi feita pelo Capitão Daniel Azevedo, médico geriatra e paliativista. Contamos também com o apoio dos residentes de geriatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que cursam 6 meses da residência na CGABEG. No turno da manhã fazíamos discussões teóricas na CGABEG e à tarde acompanhávamos o ambulatório de geriatria no Hospital Naval Marcílio Dias.Durante o estágio foram discutidos diversos artigos científicos que englobavam tanto temas específicos da geriatria quanto aqueles vistos por generalistas. Em ambos os casos, aplicáveis à prática clínica do Médico de Família e Comunidade (MFC). Teve enfoque as medidas comportamentais além das medicações em diversas situações. Por exemplo, em casos de incontinência urinária ou insônia, as mudanças comportamentais são essenciais para a melhora clínica, sendo primeira opção de tratamento. Essa abordagem é muito utilizada pelo MFC, sendo fundamental esse conhecimento. Foi debatido também a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), um questionário com abordagem integral ao paciente idoso e que fornece dados físicos, psicológicos e biossociais do paciente, além de suas relações familiares. A AGA se assemelha à pratica do MFC, de medicina centrada no paciente e em sua comunidade e família. Como a CGABEG é uma instituição de longa permanência, acompanhamos diversos atendimentos médicos aos residentes. Alguns com sintomas agudos como vômito e diarreia, outros com situações crônicas como úlcera de pressão, demência em estágio avançado. Essa instituição se diferencia de outras casas de repouso pois conta com equipe médica 24h para atendimento aos pacientes.
 Participamos de reuniões multidisciplinares com os cuidadores, que usam este espaço para conversar sobre pacientes, preocupações, problemas no processo de trabalho. Há muitos idosos nesta casa geriátrica com demência avançada, acamados,com perda total de autonomia e independência e sem interação. Foi presenciado duas reuniões com familiares tratando sobre esses pacientes em fim de vida, com foco em cuidados paliativos. Era proposto conforto ao paciente com o mínimo de intervenções invasivas que não trariam benefícios para o paciente ou melhora do seu quadro clínico. 

Assistimos ao filme Iris, que trata sobre a doença de Alzheimer, patologia discutida diversas vezes durante o estágio devido à grande prevalência na população idosa. Há projeções de aumento exponencial do número de casos de Alzheimer devido ao envelhecimento populacional e é de grande valia o aprendizado sobre a doença. No ambulatório de geriatria no Hospital Naval Marcílio Dias, participamos de várias consultas, com diversos níveis de complexidade. Alguns pacientes atendidos eram independentes e realizavam suas tarefas de vida diária , tinham poucas ou nenhuma comorbidades . Entretanto, outros pacientes apresentavam doença de Alzheimer em estágio avançado, sem nenhuma autonomia ou independência. Também conhecemos um paciente de 73 anos que estava fazendo doutorado e que dava aulas na faculdade de direito. Tinha hipertensão essencial, usava sua medicação, praticava esporte, se alimentava bem e estava ali para sua “consulta de rotina”. 

Na enfermaria geriátrica do hospital, vimos dois pacientes com internações de longa permanência e sem perspectiva de alta. Presenciamos também a difícil conversa com a filha de uma senhora com insuficiência renal e pneumonia sobre fim de vida e cuidados paliativos. Podemos ver o quanto é difícil ser cuidador de pacientes idosos. Os cuidadores, na sua maioria familiares, sempre apresentavam- se cansados, adoentados e com dúvidas sobre o cuidado com os idosos e consigo. Percebemos a importância de um médico de referência para a população idosa, no caso os geriatras, que eram “seus médicos”, apesar dos encaminhamentos a outros especialistas ( principalmente cardiologistas). Vimos que, assim como na atenção primária, falta comunicação entre os médicos que realizam o atendimento ao idoso, o que prejudica o cuidado e seguimento. Para a população idosa, essa falta de diálogo traz grandes prejuízos, uma vez que há muitas interações medicamentosas, medicamentos que devem tem dosagem ajustada devido à idade, além de medições proscritas para essa faixa etária.

3. Conclusão
 O aumento da população idosa gera a necessidade de melhoria no sistema de saúde para atender suas comorbidades, assim como profissionais que saibam sobre envelhecimento e doenças próprias desse grupo etário. O estágio em geriatria me agregou conhecimentos novos. Também despertou interesse no estudo sobre envelhecimento e as comorbidades no idoso. Posso dizer que me sinto mais confiante em cuidar dessa população e consigo entender melhor as dificuldades, os medos e as cobranças que os cuidadores enfrentam. Recomendo o estágio em geriatria para outros residentes do PRMFC e espero que nós, médicos de família e comunidade, sejamos capazes de cuidar da população idosa.

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1 comentários

  1. Quando eu estava na graduação, rodei na geriatria e fiz plantão geral com Daniel Azevedo no Fundão!!! :-)

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