Medicina da família e de toda a cidade (Opinião)

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Hoje, 18 de outubro, é comemorado o Dia do Médico. No Rio de Janeiro, uma das especialidades que mais crescem é a Medicina de Família e Comunidade. Estudos comprovam que, quando um paciente é acompanhado ao longo dos anos por uma mesma equipe de saúde, a chance de agravamento de alguma doença é menor. O médico de família é capaz de solucionar 90% dos problemas de saúde da população. Por isso, decidimos investir, nos últimos oito anos, na Estratégia Saúde da Família. E fomos além: criamos, em 2011, um programa de formação desses profissionais que, hoje, é o maior programa de residência do Brasil.

O Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde tem como principal objetivo qualificar profissionais para atuar no SUS. Criamos um programa fora da universidade, que funciona dentro das clínicas da família, com foco na prática, que permite aprender a medicina do dia a dia. Neste ambiente, o residente faz parte de equipe de Saúde da Família, se responsabilizando pelo cuidado de sua comunidade, sempre com o apoio de um médico-preceptor qualificado.

O residente cria um elo com o paciente, como acompanhamento integral, conhecendo sua realidade e contexto familiar. Aos poucos, o profissional passa a fazer parte da comunidade onde trabalha. Esse vínculo faz com que, depois de formado, o médico tenha interesse de permanecer trabalhando nessa unidade. Não à toa, mais de 80% dos residentes formados, hoje, atuam na unidade onde fizeram a residência.

Na Medicina de Família, o que determina o conteúdo biomédico do profissional é a prevalência dos problemas da comunidade. Se for um local com muitos casos de dengue, por exemplo, o profissional terá mais experiência nesse agravo. Assim, o médico de família do Brasil não é o mesmo da Inglaterra. E o profissional que atua na Rocinha tem peculiaridades que o médico que está na Tijuca não tem, e vice-versa. A comunidade molda o médico de família.

O Rio de Janeiro tem moldado os médicos de família que atuarão no futuro. E os médicos de família têm transformado, cada vez mais, a realidade da saúde dos cariocas. Esse é um dos principais legados que deixaremos para a cidade.

Daniel Soranz
Secretário municipal de Saúde

Artigo publicado jornal O DIA





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