Residente da UnB descreve a experiência em estágio realizado com o programa

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 O PRMFC recebe mensalmente estudantes e residentes do Brasil e exterior que buscam vivenciar o modelo de atenção primária criado no município. A residente  Camila Laiana, da Universidade de Brasília, realizou em março o estágio na Clínica da Família Estácio de Sá, com a supervisão do preceptor do programa Rafael Castilhos e apoio de toda a unidade. 
A residente encaminhou um relato emocionado sobre a experiência vivenciada. Divulgamos abaixo o informe enviado:

Quando iniciei o Programa de Residência em Medicina da Família e Comunidade vi a oportunidade de realizar um estágio em outro país, no entanto, sempre fiquei balanceada em conhecer outra realidade brasileira, foi aí que escolhi o Rio de Janeiro para passar um mês. A facilidade de acesso, locomoção, estadia foram fatores positivos para essa escolha, não nego, mas foi uma experiência diferente do meu dia a dia em Brasília: novas pessoas, estruturas, condutas e histórias.
Fui lotada na Clinica da Família Estácio de Sá, localizada no Rio Cumprido. A unidade se encontra aos pés da Comunidade do Morro do Turano, em contra partida possui uma grade zona de “asfalto” com quadras residenciais, praças, comércio e transportes públicos próximos, facilitando o acesso. No primeiro dia, fui recebida por Dr Rafael Duranza, especialista em Medicina de Família e Comunidade e coordenador da Equipe Matinha. Ele me apresentou a estrutura da Clínica e as demais médicas de família, também preceptoras da unidade, Diana e Lorena, dias depois conheci a Dra Aladia. A unidade possui uma infraestrutura de excelência, composta de vários consultórios, sala de observação, sala de procedimento, sala de curativo, sala da saúde da mulher, sala para acolhimento mamãe-bebê, consultório de odontologia, expurgo, sala de esterilização, sala de imunização, sala de coleta laboratorial, Sala de ultrassonografia, sala de Raio-x, farmácia, auditório, sala de reunião, sala dos agentes de comunidade, sala da administração, refeitório e muito mais.

A Clínica da Família Estácio de Sá é um prédio novo, construído a pouco mais de um ano para comportar seis equipes de Atenção Primária a Saúde: Aureliano Portugal, Bispo, Citiso, Joaquim Pizarro, Matinha e Vista Alegre. A Clínica funciona como uma unidade escola e possui uma preceptoria de excelência máxima, onde pude conviver com acadêmicos de faculdades públicas e particulares do Rio de Janeiro e residentes do programa. Das seis equipes da unidade, apenas uma não possuía residente e, momentaneamente, estava sem médico atuando. Essa divergência me proporcionou visualizar um ambiente com equipes de residentes e sem residentes, além da diferença gritante de uma equipe coordenada por médico de família e por médicos de outras especialidades.

A rotina de atendimento é bem parecida com meu dia a dia, no entanto, o acesso é totalmente avançando. Os residentes  ficam a maioria dos turnos na clínica em atendimento à clientela, além dos turnos de visitas domiciliares, aula teórica, plantões e o turno de planejamento, uma novidade na minha rotina. No primeiro momento, acompanhei os residentes em seus atendimentos, observando a demanda do serviço, o seguimento dado ao paciente, enfim, toda a rotina de uma consulta médica. Além disso, pude acompanhar inúmeros procedimentos, mais uma novidade, pois no meu PRMFC não temos a oportunidade de realizar essa demanda na unidade e também fiquei encantada com a facilidade do acesso a um raio-x, eletro ou marcação de uma USG. Iniciei acompanhando colocação de DIU e pude ter o prazer de tentar realizar alguns. Depois, realizamos mais alguns procedimentos: exérese de lipoma, cantoplastia, lavagem de ouvido, entre outros.

Com o passar dos dias iniciei os atendimentos supervisionadas pelos preceptores, pude conhecer o prontuário eletrônico e a agilidade que ele proporciona ao médico durante a consulta. Um sistema objetivo, que permite ao usuário, preencher todo o SOAP, ver os CIDs ativos, emissão de receita, resultados de exames, além de visualizar histórico do paciente, as últimas prescrições, encaminhar o paciente, checar prontuário, marcações; possibilita ainda o acesso continuo a agenda do dia, o tempo de espera do paciente desde o acolhimento e modificar o status de chegou para atendido, por exemplo. Senti falta do serviço de triagem no acolhimento, o que dá mais agilidade a consulta, pois o paciente já vem com os sinais vitais colhidos além das medições necessárias em uma consulta de crescimento e desenvolvimento. Outro fator importante da triagem é filtrar os atendimentos, em geral, um número significativo de pacientes tem sua demanda atendida no acolhimento, deixando a agenda médica mais dinâmica.
Com a chegada dos novos residentes pude conhecer o território ainda melhor. Subimos no Morro do Turano acompanhadas pelas agentes comunitárias, pude conhecer as ruelas e arquitetura peculiar daquela comunidade, fiquei impressionada como tudo é igual e mesmo assim os moradores conseguem se localizar ali. Não assisti nenhuma cena de violência e encontramos vários policiais durante a caminhada. Observei que aquele território é marcado de muita pobreza, falta de saneamento básico, lixões, diferente do que encontramos no “asfalto”, onde tudo é mais limpo e organizado.   

Por fim, posso afirmar que o estágio superou minhas expectativas. Poder conhecer uma estrutural em Atenção Primária tão avançada no Brasil me fez enxergar com novos olhos a MFC. Todo o aprendizado neste mês ampliou meus horizontes e inspirou o crescimento da minha vontade exercer a medicina de família. Foi prazeroso conviver com todos na Clínica, preceptores, residentes, acadêmicos, enfermeiros, agentes comunitários, administrativo. Aprendi muito com todos eles e pude me inspirar por tamanha dedicação aos pacientes. Voltei mais amadurecida e animada a enfrentar os obstáculos da residência, além realizar um bom trabalho como médica.
  



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