Lisboa foi a escolha para o eletivo da R2 Juliana Amorim de Souza

06:33:00

Residente do programa Juliana Amorim de Souza do Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto realizou estágio em abril em Lisboa. Abaixo o depoimento do residente:

Residente:Juliana Cristina Amorim de Souza
Unidade de Saúde: CMS João Barros Barreto 
Período de estágio: abril  2018
Local:  Unidade de Saúde Oriente

Acompanhei uma equipe composta por uma médica de Saúde Familiar e uma enfermeira. A USF funciona de 8 às 20 horas conta com 4 equipes de saúde, residência médica em Medicina de Família e Comunidade, sala de vacinação, sala de curativo, eletrocardiograma com dia de laudo pelo cardiologista e dois dias de coleta de exames laboratoriais. Cada equipe de saúde atende em média 1500 pessoas por lista de clientela e não por adscrição de território como é o modelo no Brasil. No atendimento direto ao público ficam os técnicos administrativos que são encarregados de dar acolhimento, liberar consultas e orientar os pacientes. O serviço era organizado basicamente visando os pacientes agendados, aqueles que buscavam atendimento sem estarem marcados ou teriam que agendar consulta com seu médico de família em até cinco dias ou, dependendo do caso, aguardar para um atendimento de urgência que poderia ser desde avaliação pela enfermagem até o atendimento médico do profissional escalado no dia. Os pacientes pagam um percentual da consulta, em torno de 4 euros, alguns são isentos como os diabéticos, crianças até 9 anos e pré-natal. Os medicamentos são prescritos em uma plataforma que informa a quantidade comprada e a data em que o paciente foi na farmácia, todos devem ser comprados, alguns são coparticipados. A referenciação também é por meio de plataforma específica na qual é possível consultar todas as referenciações do paciente assim como o que foi feito na consulta.

Durante o estágio realizei visitas domiciliares a pacientes acamados e para o deslocamento utilizamos um carro com motorista que foi preciso agendamento prévio pois o mesmo carro atende a outras unidades de saúde.  Acompanhei um dia os secretários clínicos que apesar de serem o primeiro contato do paciente com a unidade diferem dos agentes comunitários por não serem pertencentes à uma equipe e por não terem responsabilidade sobre o paciente como realização de visitas, vigilância e busca ativa de casos.

O período em que estive no estágio foi muito proveitoso para a comparação da organização e recursos de atenção primária que temos no Rio de Janeiro com o que é realizado em Lisboa. A nossa maior dificuldade é a dificuldade de comunicação da rede e a falta de recursos, muitas vezes os pacientes ficam anos em filas de consultas/exames ou são referenciados mas não há uma contra-referência satisfatória para o prosseguimento do caso. Nossas maiores fortalezas seriam a abordagem centrada na pessoa e o domínio do território proporcionando assim maior gerência sobre a equipe e atendimento mais humanizado.








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