R2 relata seu estágio realizado no Porto, em Portugal

10:23:00

Residente: Felipe Ferreira Magnanini
Unidade de Saúde: CF Maria do Socorro / Rocinha
Período do Estágio: Março 2019
Local: USF Barão de Nova Sintra, Porto, Portugal

 Ao iniciar meu segundo ano de residência, decidi por realizar o estágio eletivo em Portugal a fim de conhecer um outro sistema de saúde e modelo de atenção primária. Minha recepção em Porto foi ACES Porto Oriental por uma médica do Conselho Clínico e de Saúde, onde fui apresentado, de forma sucinta, à organização do SNS (Sistema Nacional de Saúde) e atributos da atenção primária portuguesa. A estrutura organizacional tem semelhanças à nossa; existem 5 macro-regiões para todo o país (ARS: Norte, Alentejo, Algarve, Centro, Lisboa e Vale do Tejo), que por sua vez se organiza por áreas menores, as ACES - algo similar às nossas CAPs. A USF Barão de Nova Sintra é uma unidade composta por 6 médicos, 6 enfermeiros e 4 secretários clínicos, com população coberta de cerca de 11.000 pacientes (cerca de 1.500 paciente por equipe), além de ser uma unidade de formação médica - conhecidos por lá como internos de Medicina Geral e Familiar. Apesar da fundação da USF ser de 2014 o serviço já existia, com outros modelos, há algumas décadas. Uma das médicas da unidade estava lá há 30 anos! O SNS não é um sistema propriamente gratuito, porém tendencialmente gratuito (como descrito na constituição). A maior parte dos serviços é ofertado no sistema de coparticipação, onde o Estado e o Utente dividem os gastos (de forma não proporcionalmente iguais), as consultas e serviços da USF são tabeladas de acordo com sua região. Isto, por um lado, agiliza a marcação de exames, fornece mais opções de tratamento a preços mais acessíveis; por outro, o paciente acaba tendo que arcar com custos de todos medicamentos prescritos e exames solicitados. O prontuário utilizado permite o acesso de consultas realizadas em serviços de emergência, USF e hospitalar, o que permite um cuidado muito mais pessoal e acurado quanto aos casos. Fui recebido e orientado pelo médico Luís Viana, que chegou à unidade um pouco antes desta se transformar em USF, e, portanto, possuía um ótimo vínculo e conhecimento de sua lista de utentes.

 Durante o estágio acompanhei diversas consultas médicas do Dr Luis Viana, algumas poucas com outros médicos já formados na especialidade, e por dois turnos acompanhei consulta de uma interna do segundo e outra do quarto ano. Acompanhei, também, a sala de curativos e a realização de um procedimento: troca de implante subcutâneo de progesterona, realizado pela interna do quarto ano. Acompanhei o Dr Luís em algumas visitas domiciliares, em que a diferença era não ter a presença do ACS, o que não foi um grande problema neste caso devido ao conhecimento de área dele, mas que nos fez ter que parar e perguntar à outros utentes conhecidos sobre os endereços a serem visitados. Por fim, acompanhei as reuniões administrativas, que ocorrem semanalmente, com o objetivo de divulgar novidades clínicas, e avaliar/melhorar o serviço prestado.

Todo o processo de acolhimento e atendimento é mais organizado (e fiscalizado) que o brasileiro. Os médicos são avaliados periodicamente quanto à percentuais de consultas marcadas, quanto à grupos de consultas (como por exemplo, consultas de hipertensão, diabetes,..) e quanto à produção acadêmica, como participação em congressos, publicação de artigos, etc. Quanto aos atendimentos, seguem um modelo similar ao desenvolvido pelo nosso programa. Não sei se por característica do sistema ou regional, tendo em vista que Porto é uma cidade pequena com dois grandes hospitais universitários, há um maior número de referenciações . As consultas não se aprofundam tanto quanto estamos acostumados à realizar na formação do PRMFC-RJ, o que também mostra a qualidade da nossa formação. Ficou, então, o lamento de não termos a mesma estrutura (física e de rede secundária/terciária) e organização no sistema de saúde; porém, a felicidade de poder ver a qualidade da nossa formação, vendo aqui um atendimento mais centrado no paciente e com mais ferramentas que os realizados por lá.





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