Hoje é dia do Médico de Família e Comunidade! - 05/12

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O que é ser um Médico de Família e Comunidade... Por Renato Cony.

E não é difícil termos que explicar o que fazemos sempre que nos apresentamos como tal. Enquanto há inequívoca identificação entre algumas especialidades e o tipo de problemas que resolvem, fica difícil interpretar, à primeira vista, qual seria nosso papel. Isso pode ser reflexo da nossa formação nas universidades, que apenas recentemente incorporaram a MFC em seus currículos.

Formado há 5 anos, não tive contato com MFC na graduação em uma universidade de boa qualidade. Ou ser consequência do cuidado fragmentado, pontual, que prioriza as tecnologias diagnósticas ou terapêuticas e que promovem uma ideia de saúde muitas vezes inalcançável. 

Nossa forte relação com os serviços públicos de saúde por vezes nos caracteriza como os médicos do postinho. E somos, sim, médicos do postinho! Mas também praticamos medicina privada, entramos na saúde suplementar, estamos no sistema prisional, nas aldeias, nas roças, nos grandes hospitais, na pesquisa e na gestão. 

Atendemos pessoas! Independente do sexo, idade ou da questão que motivou a consulta. Nos interessamos pelo paciente, sua história, suas relações e seus objetivos. E entendemos que saúde é uma das dimensões do bem estar do paciente. Priorizamos o cuidado de longo prazo, em que poderemos ser testemunhas e registradores das histórias. 

Por isso digo que temos um oceano de conhecimento, mas com um palmo de profundidade. 

Precisamos reconhecer nossas limitações e entender que sempre podemos causar dano. Buscamos trabalhar com parcimônia e dividindo com o paciente a responsabilidade pela conduta escolhida. E temos, muitas vezes, que frear o reflexo de consertar o mundo. 

Trabalhamos em equipe, o que diminui a sobrecarga e propicia vínculos de amizade. Referenciamos pacientes e buscamos ser coordenadores do seu cuidado, como um concierge. Advogamos pelo paciente e nos angustiamos com as dificuldades da rede. 

 Entendemos que a comunicação é nossa principal ferramenta de trabalho. E, talvez, precisemos praticar mais para que nosso papel seja melhor compreendido. 

Depois de ouvir o que fazemos, muitos dizem que somos os médicos de antigamente. Mais do que saudosismo, é uma especialidade pro futuro, que entende o bem estar e a saúde como componentes de uma vida plena. Que incorpora tecnologias e tratamentos baseados nas melhores evidências. Mas que também entende e pratica técnicas complementares e integrativas. Que respeita as escolhas individuais e convive bem com os cuidados informais. 

Espero que todos meus amigos MFC possam renovar as energias e revisitar os motivos que nos levaram a essa escolha para mais um ano de dedicação!

Por Renato Cony, Médico de Família e Comunidade.



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